Arrependei-vos e seja batizado

Em At. 2.38 a mensagem de Pedro é firme: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão de pecados, e receberei o dom do Espírito Santo”. A contundência desse primeiro sermão apostólico desmontou o orgulho religioso daqueles que foram responsáveis pela morte do Messias. Tomados por vergonha e remorso, os judeus clamaram ao apóstolo, para que esse dissesse o que eles deveriam fazer. É nesse contexto que ele os admoesta a se arrependerem e serem batizados. A declaração é enfática: o arrependimento é condição necessária, a fim de obter de Deus o perdão dos pecados.
É assim que acontece o “novo nascimento”, ou para ser mais preciso, o “nascimento que vem de cima” (Jo. 3.3). Na verdade, trata-se de uma mudança radical na vida da pessoa que se arrepende, pois essa se torna nova criatura (II Co. 5.17), e desfruta de uma nova vida em Cristo (Jo. 3.6; 6.63). Pedro explica que não apenas recebemos o perdão dos pecados, mas também o próprio Espírito Santo. O apóstolo destaca o batismo em águas é necessário, como uma demonstração externa do que aconteceu internamente. Este é um símbolo que revela a sinceridade daquele que se arrependeu, e que foi lavado pela água purificadora da palavra de Deus (Tt. 3.5).
Mas é preciso esclarecer que o batismo não tem o poder de salvar quem quer que seja. A salvação é uma obra divina, que se concretiza por meio da fé, para que ninguém tenha do que se gloriar (Ef. 2.8,9). Na declaração de Pedro em At. 2.38 o batismo é inserido como uma consequência do arrependimento, não como uma condição para a salvação. Acreditar que o batismo é fundamento para a salvação significa contrariar a mensagem geral do Novo Testamento. Várias passagens das Escrituras confirmam que a salvação é somente pela fé (Jo. 1.12; Gl. 2.16). É contrário a Bíblia defender que se é salvo por meio de obras, mesmo que essa seja a prática do batismo.
Se o batismo fosse condição necessária para a salvação, o ladrão da cruz certamente não teria ido ao paraíso, considerando que esse não teve tempo para ser batizado antes da morte (Lc. 23.43). Ao longo do livro de Atos o perdão está relacionado exclusivamente à fé (At. 5.31; 10.43; 13.38,39), não ao batismo em águas. Para reforçar esse ensino, destacamos a declaração de Pedro em mais um dos seus sermões: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At. 3.19). Observemos que nessa passagem o apóstolo não faz qualquer alusão ao batismo, demonstrando, assim, que esse não é condição para a salvação.
De igual modo, quando o carcereiro de Filipos perguntou a Paulo o que deveria ser fazer para ser salvo, ele respondeu: “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo” (At. 16.31). O batismo é um testemunho da conversão genuína, da limpeza que aconteceu no interior, e uma demonstração de obediência a uma ordenança do Senhor (Mt. 28.19). O batismo tem o seu valor para a vida cristã, e deve ser buscado por todos aqueles que tomaram sua decisão por Cristo. Mas não pode ser colocado em igualdade com a fé para a salvação. Jesus afirmou que toda aquele que crer e for batizado será salvo, mas somente serão condenados aqueles que não crerem, não os que não forem batizados (Mc. 16.15).
A conversão de Cornélio, registrada por Lucas em At. 10, é uma prova cabal dessa verdade. Ele foi batizado somente depois de tomar sua decisão por Cristo, principalmente porque também desceu sobre os presentes o Espírito Santo. Portanto, não devemos pensar que o batismo é um dos meios para a salvação, mas como um símbolo subsequente dessa. O próprio Pedro assumiu em uma das suas Epístolas que o ato do batismo não era suficiente para a salvação, mas a fé no Senhor e Salvador Jesus Cristo (I Pe. 3.21). Tenhamos, portanto, cuidado com doutrinas que tentam acrescentam algum outro critério para a salvação além daquele que já está posto: “pela graça sois salvos, por meio da fé (Ef. 2.8,9).
É por isso que, em relação a interpretação de At. 2.38, bem como de outras passagens bíblicas, é importante deixar que a Escritura interprete a própria Escritura, a fim de evitar conclusões precipitadas, ou doutrinas baseadas em versículos isolados.

Ev. José Roberto A. Barbosa (2º Secretário da Assembleia de Deus em Mossoró-RN e professor da EBD)

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