Comunhão

A igreja do Senhor Jesus Cristo é descrita nas Escrituras como uma comunidade de fé, cujos membros estão relacionados pelo vínculo da lealdade, auxilio mútuo e amor (I Jo. 1.3). Sendo assim, é improvável que alguém seja um cristão no isolamento, isso porque fomos chamados por Deus para viver em comunhão. Na Antiga Aliança a comunhão tinha um caráter nacional, considerando que Deus, através de Abraão, Isaque e Jacó criou uma nação. Esse povo teria a missão de ser testemunha da bondade e santidade de Yahweh (Is. 43.10).
A palavra comunhão em hebraico é habar, com o sentido de ajuntamento ou reunião. Ela pode ser encontrada no Sl. 94.20, com a qual o salmista indaga retoricamente se os governantes ímpios teriam comunhão com Deus. O próprio escritor sacro reconhece que o Senhor não tem relação com aqueles que criam leis injustas, para oprimir os mais pobres. A forma adjetiva desse substantivo é haber, apropriadamente traduzido como “compaixão” (Jz. 20.11). Nessa perspectiva, a comunhão diz respeito à identificação de um povo, que se reúne em torno de um propósito, a fim de alcançar o mesmo objetivo.
Na Nova Aliança, Jesus edificou uma nova comunidade, estabelecida por meio da fé em Seu sacrifício na cruz do calvário: a igreja (Mt. 16.18). A palavra grega koinonia, usada ao longo do Novo Testamento para se referir à comunhão, tem significados diversos, dentre eles destacamos: participação e partilha. Em At. 2.42 está escrito que a koinonia era uma das características dos cristãos de Jerusalém no primeiro século. Nesse texto a comunhão significa não apenas a associação entre as pessoas, mas também a partilha de alimentos, bem como de outras necessidades vitais.
Paulo utiliza essa palavra várias vezes ao longo das suas epístolas para se referir à coleta e partilha de bens materiais, a fim de suprir as necessidades dos santos de Jerusalém (Rm. 15.26; II Co. 8.4; 9.13). Para que isso seja feito, de acordo com esse Apóstolo, seria preciso que os crentes tivessem consideração uns pelos outros (Fp. 2.1). Ele também recorre ao termo koinonia para ressaltar a comunhão íntima entre os crentes na comunidade de Jesus Cristo (I Co. 1.9). Em outros contextos, assume sua koinonia enquanto identificação com os sofrimentos de Cristo (Fp. 3.10), bem como da koinonia com o Espírito (II Co. 13.13), e no corpo e sangue de Cristo (I Co. 10.16).
A comunhão também diz respeito à partilha de responsabilidades entre os membros das igrejas, a fim de obter êxito na divulgação do evangelho, principalmente no que tange às ofertas para a manutenção da obra missionária (Fp. 1.5; 4.14-19; Fm. 6). Em seu aspecto negativo, a koinonia é utilizada por Paulo, em II Co. 6.14, a fim de advertir os fiéis a não terem comunhão com as trevas. Na visão de João a koinonia se refere à comunhão cristã que devemos cultivar uns com outros, na comunidade de fé, tendo como base o amor de Deus (I Jo. 1.3,7). Isso porque o fundamento da comunhão entre os crentes está em nossa koinonia com o Pai e Seu Filho, Jesus Cristo (I Jo. 1.3,6).
A igreja é uma comunidade marcada pelas diferenças, esse é um desafio para a vivência em koinonia. Para tanto é preciso atentar as necessidades dos outros (Fp. 2.4). Na maioria das vezes, a comunhão exige algum tipo de sacrifício pessoal, que as pessoas acostumadas ao individualismo, e alicerçadas no egocentrismo, não conseguem superar. Mas nós os cristãos precisamos aprender a viver em comunhão, e saber que esse é um estilo de vida que compensa, e vale muito mais que viver no isolamento. Em consonância ao que afirmou John Donne: “Nenhum homem é uma ilha”, somos, portanto, parte um dos outros, na comunidade de fé em Cristo.

Ev. José Roberto A. Barbosa (2º Secretário da Assembleia de Deus em Mossoró-RN e professor da EBD e do CETADEM)

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